quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

FELIZ NATALLLL!!!


NATAL

Um homem
De Neanderthal
Roubou a minha árvore
De Natal

E o Papai Noel
Vejam bem
Está no céu
De refém

E o peru
Ouçam o que eu digo
Foi comido
Ainda vivo

O meu Natal
Foi pro espaço!
E agora?
O que eu faço?

terça-feira, 24 de novembro de 2009


CANETA

Uma caneta
Na minha mão
É como bala
De canhão

É faca
Arma branca
Mata
Machuca
Maltrata
Espezinha
Destrata
Arranha
Intimida
Assanha
Estapeia
E apanha...

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Por Acaso


Eles não se viam há tempos e se encontraram meio que por acaso.

Deus havia resolvido premiá-los, já que ela havia feito as pazes com a mãe e ele havia largado o cigarro.

A quantidade de pessoas que transitava pela rua quase fez com que não se reconhecessem.

Ele andava apressado, tinha uma consulta médica.

Ela falava com alguém ao celular, mas tratou de logo encerrar a conversa para poder cumprimentá-lo.

Sorriram, se abraçaram, perguntaram um ao outro como ia a vida.

Responderam ambos que a vida ia bem – e corrida. “Ah, que vida é essa, não temos tempo para mais nada!”.

Ele disse que tinha um compromisso, com ar de mistério. Preferiu não dizer que os seus rins estavam lhe matando e iria ao urologista para ver o que fazer.

Ela completou que o seu horário de almoço também estava no final, precisava ir. No seu escritório era assim, “todo mundo cuidando da vida de todo mundo”.

Comentaram sobre tomar um café um dia desses, algo que sempre falavam, mas nunca faziam.

Ele seguiu caminhando em direção ao consultório, sem muita convicção de que a consulta seria mesmo necessária: já não sentia aquela dor.

Ela, ao contrário do que havia dito, tinha acabado de sair do escritório, mas já não sentia fome. Sorridente, trocou o almoço por um delicioso sorvete de creme, seu sabor favorito.

O dia prosseguiu bem para os dois.

Ele se sentia leve.

Ela se sentia feliz.

E haviam sido só uns três minutos de conversa.

“Questão de energia”, elocubrou ela.

“Ela não pode nem sonhar com isso”, pensava ele.

Os dias se passaram e a dor dele voltou.

O mau humor dela também.

Ele retornou ao médico, que lhe receitou uns tarja pretas.

Ela se entupiu de batatas fritas nos cinco almoços que se seguiram.

Nenhum dos dois tomou a iniciativa de marcar o café.

Ele achava que tinha que disfarçar.

Ela achava que era ele quem tinha que ligar.

Ele voltou a fumar.

Ela cortou relações com mãe, que criticou a escolha do tecido das suas novas almofadas.

E então Deus achou que eles não mereciam mais acasos.

E, para ambos, a vida prosseguiu de forma previsivelmente sem graça.

Como tantas e tantas por aí.

domingo, 8 de novembro de 2009


POETA

Se você disser que é profeta
Eu acredito
Se disser que é poeta
Eu grito!

terça-feira, 27 de outubro de 2009


RESOLUÇÃO

Uma forma peculiar
De resolver um problema
É transformar
Todo e qualquer teorema
Em poema

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Para ler na rede...


SENTIMENTOS

A culpa está ali ao lado, se auto-flagelando
Enquanto a pressa saiu correndo
A raiva está roxa
O medo tremendo
E as lágrimas nadam em água salgada

Enquanto isso
Bem ao lado
A preguiça
Ali olhando
Na rede
Balançando...

sábado, 10 de outubro de 2009

CuPiDo...


ACUPUNTURA

Vou contratar
Um cupido oriental
Entendido em acupuntura

Para lançar
Com precisão total
Uma flecha tipo agulha

Bem na sua orelha
No seu ponto do coração
Em uma flechada certeira
Sem nenhuma dispersão

E então a vida dura
Será plena de paixão
E eu, para responder à altura
Jamais direi um não

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Mágica!


O ILUSIONISTA

Você pensa que escrever poesia
É truque
Magia
Só porque ela é capaz
De fazer levitar

Olha nas minhas mangas
Para ver se não escondi palavras
E perscruta a tudo ao meu redor
Mas quando menos espera

Vou lá e tiro uma rima
De dentro da cartola
E ela brilha
Com um simples toque

E você não entende como
Pode ser
E então chama de mágica
O que acabou de acontecer

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Tempos Modernos...


CERTEZAS

Os seres humanos usam frases afirmativas encerradas por pontos finais ou até mesmo pontos de exclamação.
Sustentam olhares com segurança e apertam as mãos uns dos outros com firmeza.
Têm certeza de tudo.
Mas, voltando para as suas casas, choram sozinhos em seus carros.
E à noite, demoram a pegar no sono.
Algumas vezes ainda, acordam ofegantes, sobressaltados, assolados por pesadelos.
Temem a morte.
No dia seguinte, ainda choram no chuveiro.
Mas, a seguir, vestem uma roupa tipo armadura.
E voltam a oferecer o seu semblante mais sereno para o mundo.

domingo, 20 de setembro de 2009

Qualquer semelhança... é mera... coincidência...

NÃO E SIM

Minha razão
Essa chata
Só diz não
Me maltrata

Mas meu coração
(Um, enfim)
É gamado
No sim!